sábado, 9 de julho de 2011

Não sei, só sei que foi assim... É notícia!

O cabrito que virou bode.

   Era junho de 1970 no interior das Minas Gerais, no distrito de São Bernardo das Águas Verdes que pertencia ao município de  José Olímpio dos Lobos, onde nem todos possuíam energia elétrica...
   -Ernesto, dispois du sirviço quero que tu vai lá na casa do vizim e pega aquele cabritu qui u Mário incumendou pra hoje. O rasta-pé vai sê as seis e já qui nois ficamo de levar a “ceia”, temo que chegá lá cuá minha carruagi com mais o menos uma hora di anticidência!
   -Mais senhor... espia o tempo! São Pedro tá bravo hoje, e mesmo assim se já parar de chover, aquela sua carroça não vai aguentar de lama... a gente pode até demorar mais no caminho e o cabrito esfriar. Eu acho melhor...
   -Num acha nada, quem cocê pensa qui é pra mi dá ordi! Era só o que mi fartava... chispa, vai arrumá o feno e dá pros cavalo e esteja qui pronto às quatro i meia, temos que sair às cinco!
   Ernesto saiu em direção ao estábulo para tratar dos cavalos e Josué, seu patrão, ainda o ficou observando por dez minutos e foi rapidamente para a casa tomar seu banho. Josué não passava nem perto de ser um “bom patrão”. Era uma pessoa ranzinza e metódica. Tudo que ele pensava estar errado deveria ser consertado do jeito dele, ou caso contrário, era capaz de brigar com tudo e todos ao seu redor. Mário nem queria chamá-lo para a festa, mas resolveu convidá-lo, porque era final de copa do mundo e como ele era praticamente o único da região que dispunha de televisão em sua casa ficou com pena do pobre Josué perder aquele espetáculo.
   Passada uma hora, Ernesto já estava esperando seu patrão na porteira do sítio...
   -Vem rápido homem de Deus, eu tô com medo da chuva... Será que não é melhor a gente pegar carona no carro do vizinho?
   -Larga di sê beista sô, a minha possante dá conta di tudo!-  Josué bateu de leve com a mão direita na parte da frente da charrete e um dos nós que amarravam a lona da parte de traz quase arrebentou  -Agora vamo qui vamo! Vem, ôcê trabalhô muito e deixa qui eu tomo a rédia... Pó discansá.
   -Obrigado, mas acho que não dá porque essa estrada tá perigosa e piora se chover.  Ernesto continuava a falar calmante ao lado do patrão.- Vamos fazer o seguinte, o senhor fica olhando o cabrito enquanto eu conduzo.
   Josué pensou e repensou por cinco minutos e depois da “esperada” bronca que o empregado levou o patrão rapidamente pegou as rédeas da charrete e ela começou a andar.
   São Pedro não dava descanso no ceu e Ernesto já matutava como seria uma dificuldade cruzar aqueles 26 km de chuva e lama com o meio de transporte escolhido. Porém agora só pensava em ajudar seu patrão a chegar são e salvo no arraial de Mário... 
  
   O grande dono do arraial já estava impaciente frente à porteira de madeira ao lado do jacarandá. Já eram quase seis e dez da noite e Josué ainda não tinha chegado.
   Sempre que podia, Mário tentava “levar o título” de fazendeiro mais amigo e companheiro da região. Já tinha até se candidatado ao cargo de presidente da Associação de Moradores do Campo, mas por ser uma pessoa meio que ignorante, todas às vezes perdia para D. Margarida, uma mulher culta, porém simples e de menos posses.
   -Patrão, não quero te amolar muito não, mas que horas o cabrito irá chegar? O jogo será as sete e meia, já confirmei pelo aparelho que você vê pessoas em uma caixa de vidro. Mas se o senhor quer fazer a quadrilha, é melhor andar rápido!
   -Por favor Luiz, me chame só de Mário! Não gosto de sê chamado de patrão.-  ele falou entre risos.-  Yerr, vamos preparar a quadrilha, essa copa deu certim cuá noiti di São João. Sabia que u Josué iria atrasar cuá encomenda...
   Os dois caminharam em direção ao centro da fazenda onde os convidados já estavam conversando despreocupadamente ao redor de um palanque coberto com forro azul. Passados dez minutos, Mário anunciou a quadrilha e rapidamente quatro meninas já começaram a buscar o par e puxar a grande roda. Dentro de pouco tempo, todos já estavam dançando.
   - A ponte quebrou!-  Maria, uma convidada com vestido de flores e um laço vermelho no cabelo falou ao alto falante. - Êta forró arretá di bom sô!... Ô a onça!
   -Filha, não tem onça na quadrilha.-  José, o pai de Maria berrou sentado à mesa do lado da fogueira.- Ah, é mió bebê quentão du qui ouví essa fia falando...
   -Uai Pai,agora tem... Nessa quadrilha, se nu tivé trem a gente bota... i cumé qui ér pessoar?!?
   -Éééééééééééééééé!
  
   Distante do arraial, Josué continuava a brigar com Ernesto pela estrada afora. O patrão queria sempre bancar o sabichão da historia e somente depois que levou a charrete pelo caminho errado, deixou seu empregado conduzir um pouco.
   -Está vendo Seu Josué, se o senhor fosse guiando todo o tempo, nunca que íamos chegar ao arraial a tempo. Além do mais, espia! A noite já vem chegando e esta estrada tá um breu. Reza pro seu cavalo ter uma ótima visão no escuro! Ai meu São João, já são seis e vinte e nós ainda estamos a 8 km de distância da festa... e o Tornado, seu cavalo empacou!
   -Para de se perrcupá homi di Deus, a gente vai chegar lá uma hora!... Ma... mais Ernesto, tu vai passar por aí? Diz que t... tem assombração!
   -Larga di sê beista! Tem nada lá não... - o empregado agora imitava a fala e os gestos do patrão.- Não foi o sinhô mesmo que disse istrudia qui essas coisas não existi?- Ernesto falava, enquanto olhava sarcástica e misteriosamente para Josué. - Alto lá, alto lá, e alto lá... Se sou eu que tenho medo, por quais cargas d’água você já tá quase mixando nas calças? Há-há!
   -Arrrto lá digo eu! Impregadinho beista sô... Ouvi um cau...causo que istru...istrudia a Rosinha ta...tava p...passando por e...es...essas bandas a noite...
   -Já sei... a patroa tava passando e uma das “cabeças fantasma” da estrada começou a mugir e correr atrás da coitada... – Ernesto mudou repentinamente a voz para um tom macabro e rouco. – e depois, Rosa nunca mais foi vista... Há-há-há-há-há!
   -Paaaaaaaaaaaaaaara homi, tá me ass...assussustano cada vez mais! E fala baixo... você não sabi si os ispíritu tão com rávia de alguém... já eu nem quero saber mais de Rosinha, eu só não que...quero ir lá p...pra discub...brí, só sei que foi assim.
   Logo a sua frente, na curva da estrada surgiu uma enorme cabeça branca flutuando como se fosse uma vaca sem corpo.
   -Vixe! - diz Josué apavarado. - Que é isso homi de Deus? Já ouvi falar em mula sem cabeça,mas vaca sem corpo nem sabia.     

   -É clara a fúria dos espíritos desta estrada, podemos ver pelos seus olhos! – o outro continuou a brincar com a cara do patrão durante um tempo, depois pegou uma lanterna na charrete e foi ver a “assombração”. – Ah não patrão, a vaca me pegou... Larga di sê beista o sinhozinho! É apenas um animal normal ruminando... vô te ispricá. – e mais uma vez imitou a voz de Josué. – Estava já tudo escuro e o corpo desse ruminanti é preto, por isso a cabeça estava flutuando!
   O empregado parou, riu um pouco da cara do patrão e depois voltou para a charrete. Finalmente o cavalo resolveu andar de novo e os dois ficaram quietos sem se falar um pouco, porém passados 30 minutos Josué quebrou o silêncio e perguntou com voz de menino que se redimia para Ernesto:
   -Então vamos falar agora sobre u “ruminá”, me insina a falar como cês dizem. Vamos lá... Eu rumino... e depois?
   -Ô meu pai, eu mereço esse trem que não sabe nem falar direito. – e olhando com pena para seu patrão, falou rapidamente. – Só te ensino se tu me pedir desculpa por tudo.
   Os dois finalmente fizeram as pazes. Ernesto sabia que pela cabeça teimosa de Josué, aquele momento de calmaria iria durar pouco tempo e resolveu curti-lo ao máximo.

    -Ah, meu cumpadi Josué... que bom que chegou! Como tem passado Ernesto? Se meu amigo judiar de você nessa colheita, pode vir trabalhar aqui comigo...
   -Sempre engraçado você não é Mário? – Josué de repente deu uma cotovelada de leve em seu empregado. – Sinto muito, mas eu ainda sei como se tratar bem um empregado da minha pequena propriedadi... E diga lá homi, que horas é o jogo?
   Eram quase sete da noite e todos na fazenda vieram cumprimentar os dois convidados de uma só vez, muitos, é claro, de olho no cabrito. Porém como a comida tinha esfriado com a viagem, Mário mandou um de seus a esquentarem no forno a lenha para depois todos comerem durante o grande espetáculo da noite.
   A hora mais esperada da noite chegou e Mário subitamente fez um sinal para os sanfoneiros pararem de tocar. Agora todos os convidados se reuniam na grande sala de estar da fazenda para se maravilharem com aquela “caixa mágica” por cima da mesa de madeira.
   -É um, é dois, é três! – o dono da casa ligou o aparelho e algumas pessoas lacrimejaram os olhos. – Pronto! A magia da T.V agora tá mais pertu di nóis... Tensão, o jogo começou... vai cabra, pega a bola e faz gol!
   -Ô fia... é muita emoção! – Marta, uma convidada que beirava já os 42 anos, falou com os olhos molhados para sua filha Janete.
   -Que coisa maravilhosa! Brigado Mário, istrudia quero repô u convite...
   -E será bem vindo Xico! Que bom que gostou.
   -Já tô uma poça d’água, é muito emucionante!
   -Para com isso Viví... se não o seu Zazá também chora...
   Margarida, a mulher “rival” de Mário quando se tratava de eleição para presidente da Associação de Moradores de Campo, que estava vendo todas aquelas pessoas maravilhadas pela magia daquele objeto, resolveu falar e tentar esclarecer a situação:
   -Pois é, nós que estudamos mais um pouco sabemos que isso nada mais é do que as novidades da tecnologia que vêm chegando, estou certa Mário?
   -Arrrto lá! Qui kocê falô? Tem ticnologia coisíssima ninhuma! E só a tumada qui eu ponho no buraco e ela liga...
   -Uai uai uai... Não Mário, ai meu Deus do ceu! – Margarida abaixou um pouco o tom de voz. – Marinho, achei que você por ter essa fazenda toda e ainda por cima querer ser presidente da AMC um dia... achei que você sabia que é o satélite é que transmite a imagem na T.V... Arrr meu Santo Antônio, não é mágica nenhuma, só pura tecnologia!
   -Apoiado! A patroa é intiligente, ela sabe das coisas. – Alice, a única empregada de Margarida falou ao lado de José, e poucos minutos depois, mais algumas pessoas resolveram também apoiar a atual presidenta.
   -Não... cê tá errada mulher... Tem satélitu coisa ninhuma!
   -Apoiado! É por isso que eu voto em você. – Josué, seguido por muitos convidados que não eram tão bem instruídos e gostavam de criar uma boa polêmica, se levantou e ficou ao lado de Mário.
   -Vírrr sua fidida? O povo tá do meu lado e eu vou falar... se eu digo que não tem satélitu é porque num tem! Ta veno us pos’ti’lúis?  Basta um fiapim da coisinha brilhante que passa dentro deles pra gente podê ver a imagi na caixa!   
   -Calma, não se irrita homem de Deus! Mário, Mário? Não creio... um político ilustre como você! Como acha que a coisa brilhante desce pelo cabo de luz?
   -Tu qué sabê di uma coisa. – Mário correu vermelho de raiva, para perto da mesa onde ficava a T.V e com um rápido puxão, desligou o aparelho.
   -Íííííí gente! A caixa misteriosa apagou por uma força oculta! – um senhor de seus 86 anos, que estava mais dormindo do que acordado, exclamou subitamente.
   -Repete, repete na minha cara qui issu é verrrdade! Vai Margarida... bota, põe seu satélitu aí e “rissuscita” a T.V vai! – Mário olhava como um galo de briga para sua rival enquanto Alice comia os últimos doces da festa. – Ô miá fia, sê não vai pô...  pó pô, eu deixo... Arrr quekó fiz pra miricê issu, xiiiiiiiiispa! Vai, vaza daqui de casa e... – Mário olhou ao redor de si e seus olhos pararam em cada um que ele achava estar errado a respeito do satélite. – Vão embora daqui cês tudo! Não quero gente qui credida em satélitu mais aqui não! Margarida, tu pode sê a primeira a ir embora... dispois vai você Alice, tchau Pedro, tchau Ana, tchau Crareti... Tem mais cabritu pro cês não!
   A cena foi quase que um arrastão, Mário começou a expulsar mais de um terço dos convidados.
   -Ninguém vai ver mais jogo coisa ninhuma! Vamo, eu e os meus amigos vamo comer cabritu, não pudému nus misturá kuéssa gentalha!
   E... finalmente o cabrito chegou à mesa de jantar da fazenda, porém só quem não tinha sido expulso conseguiu comê-lo e o causo virou notícia.

     Davi Dumont Farace.
            Início: 06/07/2011
               Final: 09/07/2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Para refletir.

Metáforas.
Letras; símbolos; histórias; fantasia...
Sinto que estou (deveras, mais uma vez estou eu) na casa abandonada,
Receio que não penso mais como pensava antes...
Tenho medo; fobia de esquecer... de não lembrar mais daquilo que deveras penso,
Ou até de me chocar contra esse bonde da estação...

Não sei se esse caminho é o mais certo,
até me pergunto vez ou outra, “será que me encaixo?”
... Não vivo à espera daquilo que (Glória!) poderá acontecer um dia;
Vivo sim à procura e à renovação de coisas que (Deveras) já estão comigo!

Consulto rapidamente o meu oráculo...
Ou se preferir, a minha “fortaleza” onde ninguém pode me encontrar.
Se achares que estou ficando doido,
  digo-te que acho que apenas penso alto demais para um garoto de 20 anos...
Apenas me desculpe por tentar, pensar diferente às vezes...
... pois, deveras, agora não passo de um jovem “literato” que sonha;

 Muitas pessoas têm objetivos na vida,
 talvez até a coisa que mais lhes motiva à continuar nas estradas... 
 E mesmo que eles aparentem ser somente sonhos (grandes demais) agora,
 um dia, se elas batalharem, esse futuro chegará...
 Então calmamente peço a vocês
 não impeçam eles e elas de sonhar...


Davi Dumont Farace.
                                              05/07/2.011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Deveras, estou triste então escrevi isto...

Entre palavras e textos.
(Paródia de “Razões e emoções”- Nx Zero)

Escrever... o que posso escrever?!?
Às vezes sinto que elas são
Tão invisíveis...
Ou apenas me deixam só!

Confesso que às vezes acho,
que não escrevo tão bem pra você!
... Mas às vezes creio,
que junto à vocês,
esse sonho irá acontecer!
Só quero que saiba!

Entre palavras e textos
Eu caminho...
Tentando fazer, valer à pena!
Encontro as portas,
mas não todas as chaves...
Por meus amigos, posso esperar!

Entre palavras e textos
Eu caminho...
Pois um dia, sei que vai valer!
Nestas estradas sei que não estou só...
Tenho vocês, podem me esperar?

Criar... o que posso criar?!?
Essas histórias tão fantásticas;
e diferentes...
Que parecem não ter final!

É que às vezes acho...
Que não escrevo tão bem pra você!
... Porém agora creio,
que estou quase lá...
ao menos estou dando o meu melhor.
Só quero que saiba!

Entre palavras e textos
Eu caminho
Tentando fazer, valer à pena!
Preciso de ajuda
sozinho eu não consigo
Por vocês, posso esperar???

Entre palavras e textos
Eu caminho...
Pois um dia, sei que vai valer!
Um mundo novo e mais humano
podemos plantar...
Tenho vocês, podem me esperar?

Davi Dumont Farace.
24/06/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Para ler em dias com tempo.

Poderia...
   Tempo... amargo e doce tempo.  Caminhos longos e às vezes cheios de curvas, viadutos, atalhos que fazemos para um dia chegarmos à uma porta, na qual temos que saber se pegamos a chave certa para abrir. Esperanças ora profundas, ora sem sentido algum aparente. Pensamos... Agora, o que fazer? “Deveras”, nos perguntamos sem obter nenhuma resposta satisfatória. Silêncio, o silêncio dos outros nos diz para continuarmos nessa luta. Luta? Sim, não precisa ser bem um confronto épico entre a medusa e o dragão, mas sim entre nossas próprias escolhas sobre o “yin” e o “yang”.
    Mas como saber se estamos desenhando com perfeição nesse caderno? No inicio, eram somente rabiscos sem nexo, mas depois tivemos, sei que tivemos alguém que pegou em nossas mãos e nos ensinou a continuar.
    - Poderia escolher trilhar esse cominho, porém acho que o outro será melhor...
    Nos deparamos com escolhas nas quais temos que decidir entre o que é certo e o que é fácil, e alguns infelizmente optam pelo atalho. Guerras, meras discussões, abalos irreparáveis na superfície terrestre... e tudo por quê? Admito que os programas sociais, trabalhos voluntários e até propagandas de conscientização nos ajudam nesta batalha de todos os dias; deveras, receio que ainda são poucas essas vozes em comparação com outras que somente visam o hoje, o momento, o lucro e se esquecem do amanhã. E qual será o futuro que deixaremos para eles (as)?
    Acho que o momento é auspicioso para refletirmos também nossas atitudes frente ao grande “tema” do ano passado que fora noticiado em várias mídias. Porém, realmente receio que alguns já se esqueceram ou até mesmo não fazem questão de saber. A meu ver; todos os anos deveriam ser “internacionais”. Por que somente agora deveras, em 2.011, foi colocada em prática a lei que proíbe sacolas plásticas? Será que é mesmo uma preocupação com o planeta ou apenas mais uma jogada financeira?
    Não espero converter essas palavras em um grande sermão religioso, somente desejo em meu íntimo que elas sejam lidas e colocadas em prática. O mundo precisa sempre de pessoas assim, que celebram todo dia a graça de estarem vivas e transformam o planeta em um lugar melhor; pois assim elas contribuem, mesmo sem perceber, para aumentar nossos sonhos e vontades; ajudam-nos a caminhar, seguir e transpor novos horizontes ainda muito mais belos e com mais visão do espaço; do cosmo; do olhar pra frente.
    Também acho que estou eu me distanciando gradualmente da minha dissertação sobre “O confronto épico de cada um” ou qualquer coisa parecida. Deveras creio que tinha que fazê-lo assim. Se não o fizesse, quem o faria? Se todos somos diferentes, e essa é uma das verdades que não podemos encontrar em livros de escola, nas páginas dos artigos de Filosofia talvez,... temos caminhos diferentes, escolhas diferentes... Somos únicos!
     Ah que chatice! (podemos assim pensar) “-Por que irei me preocupar com isso agora? Sou novo ainda e tenho muita vida pela frente!” Desconfio que temos sim, mas, ao passo que vamos vivendo somos tomados (as vezes pegos até de surpresa) por aquelas figuras que dividem o nosso ser. No movimentado mundo no qual hoje vivemos não ouvimos somente papai e mamãe dizendo ora “-Sim” ora “-Não” para nossas indagações; temos também a companhia da mídia, dos amigos, do dinheiro, enfim, dos outros “amigos” e pessoas que por ventura venham a fazer parte do nosso convívio. Confesso que sorrio quando gasto horas dos meus dias pensando nessas filosofias, sei que poderia então deixá-las de lado junto a Descartes ou Montesquieu; todavia minha alma anseia apaixonadamente por esse universo, no qual estou buscando o meu melhor.
      Há algum tempo atrás as crianças se vestiam como tais; brincavam como tais. Hoje, receio que muitas delas já começaram a trocar (precocemente) a juventude e o laçinho no cabelo pelo relógio e o terno do papai. Há, os tempos de hoje são outros... Repito, alguns já fizeram de suas vidas meros jogos de tabuleiro, no qual quem dita as regras são as drogas; a bebida; o ter; os prazeres . Eles (as) vivem à procura da felicidade; infelizmente ela não pode ser “comprada” em qualquer esquina. Acredito eu que deveras, esteja presente no convívio e nas relações humanas, contudo relembrando o filmezinho do “pássaro azul”, jamais alguém pode possuí-la.
      Sou uma pessoa que coloca muito e às vezes pensa em colocar a palavra “deveras” em meus textos. É certo que o significado deste curioso advérbio quer dizer “na verdade”, “verdadeiramente”, “realmente”. Contudo, poderíamos pensar também que aquelas letras que formam essa combinação podem servir tanto para expressar ironia quanto para substituir uma expressão inteira de felicidade... penso que poderia ser de outro jeito, porém deveras escolhi que fosse assim. Será mesmo? Vesdera, até que ponto do caminho o “eu” deixa de ser somente o “mim” e passa a ser o “nós”... e isso não foi um pergunta. Pensamos que juntos seremos todos mais fortes do que se estivermos a sós; desconfio que ficar por um tempo sozinho seja até melhor para (como é a palavra?) espairecer as ideias; porém, a solidão talvez seja a pior forma de se resolver o que temos de resolver sozinhos. Graças a Deus temos vocês!
     Poderia fazer dessas novas palavras que são incrustadas aqui um emaranhado de perguntas e frases sem sentido... mas isso não seria bom e nem sensato de minha parte. Posso, não sei deixar essa tarefa ainda para os psicólogos e psicólogas. Tenho medo de que se estivesse hoje deitado em um divã, eles iriam-me falar que tenho complexo de inferioridade; faço perguntas demais e, sareved, uma grande parte é somente eu que posso encontrar as respostas; então sinto-me tomado pela famosa frase que outrora disse William Shakespeare “-Ser ou não ser?”
     Somente temos pressa de viver... desejamos ansiosamente pelo amanhã que construímos hoje. Sobre o “yin” e o “yang” deveras, desconfio que eles possam ser as chaves certas que procurávamos ontem. Será?
    
    
      Davi Dumont Farace.     Começo: 16/05/2.011    Final: 21/05/2.011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Devia ter... amado mais, e até errado mais, ter visto o Sol se por" - Queria plagiar isso! É uma filosofia e tanto!

Ironia do amor.

Achei que jamais iria sentir isso por alguém,
achei que a vida nunca iria me permitir esse sentimento,
achei também que nenhuma pessoa poderia ser tão especial como você...

Você; você; infinitas vezes você!
... aconteceu, foi arrebatador... não sei bem ao certo explicar.
Vejo em seus olhos um brilho diferente,
meu coração pulsa de um jeito que jamais pulsou,
meus olhos se abrem de tal maneira que jamais se abriram,
e meus passos;...; deveras, eles estão sem rumo dentro deste labirinto;...;
não sei o que fazer, só sei que te quero perto de mim/

Mas o destino resolveu nos colocar a prova mais um tempo
Porém, 
                    o nosso amor é mais forte do que essa distância que nos separa materialmente...
                           Porque tinha que ser assim? Pergunto eu sem obter resposta
                                              Passo horas do meu dia olhando sua foto,
                                           sentindo você mentalmente,
                    desejando essa pessoa especial,   .......................     mesmo que, deveras...
                                  < não posso te ter ao meu lado >
                
                                         Bem, essa não foi uma das minhas melhores poesias;
                                                               Está muito melosa e... até  um pouco                                                               “invisível”
                     Mas sinto que tinha que ter feito isso,
                                                     não quero perder mais esse sentimento,
                                    quero aproveitar, me entrelaçar nessa paixão!
                        Quero;...; contudo não posso ainda,
                 simplesmente as coisas fora do papel são como outrora pensei:
                               (...) Mas os outros acham que não,
                  acham o que não sei o que é ser o achamento do achar,
                                                                         ainda que ninguém o ache (...)
                                              
                                    Não adianta mentir...
             Com esse Love profundo nos sentimos mias fortes,     todavia; há...
                            Não somos super-herois!
                     Já sabe: - Se pudesse mudaria o mundo para te ter por perto!
                           Você faria o mesmo?!?
Entretanto,
Deveras,
Estamos unidos por telepatia.


                 Davi Dumont Farace.
                 Início: 10/05/2.011
                 Final: 11/05/2.011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cosas para piensar.


La ola de los sin conceptos.
   Ella estaba sentada en una silla de madera en el medio de su cuarto. Sus hermosas y dulces manos con las guantes blancas estaban puestas por arriba de sus rodillas como si estuviese esperando por algo que ya debía tener empezado a las siete y media.  Marta González no se molestaría con un simple retraso de algunos, pero ya eran once en punto y aún faltaban personas…
   -Mi madre, vamos a comer pastel de fresa, ¡a ti te gusta tanto! Nadie más va llegar. Lo siento…
   -Sí, me aburrí de mirar el reloj…- mientras Gonzales hablaba, pequeñas lágrimas mojaban su vestido amarillo.- Que bueno que ustedes están acerca de mí, no sé qué sería de esa vieja que acaba de cumplir 81 años se…
   -Abuelita, por Dios… no creo que tu seas vieja, ¡aún tienes cabeza de una mujer de 40!
   -Lo siento Pablo, pero los años vuelan… A ver, ¿Juan ni siquiera te llamó por teléfono móvil? Conozco a mi hijo, él no dejaría de venir a esta fiesta por nada en ese mundo… ¡Él es una persona adorable!  
   -Sí.- Paloma, la hija más vieja de la anfitriona, habló sarcásticamente en el oído de su marido, y los dos tuvieran que contener la risa.
   Con pocas fuerzas para mantenerse despierta, Gonzales caminó  hacia la cocina del hogar. Para una vieja como ella ese era el lugar más precioso de toda la habitación; el sitio donde creaba muchas tartas y dulces; la parte de la casa que en que se sentía más confortable; y en donde se quedaba contenta por estar siempre con personas aprovechando sus nuevas creaciones culinarias. No demoró mucho tiempo para Pablo ya coger todas las galletas con relleno de chocolate que aparecían en frente a sus ojos azules… Paloma ya estaba corriendo para así atrapar el hijo, pero su abuela le dio permiso de continuar comendo las galletas.
   Todos calmamente se sentaron y cogieron platos mientras Carolina, la hermana más nueva de la señora Gonzales, daba una gran parte del pastel de fresa para cada uno de los invitados. Todos en la habitación sabían que muchas comidas de la fiesta iban a durar semanas; y la anfitriona se quedaba más triste con esa realidad.
   -Vamos mi hermana, ni siquiera comió un poco…
   -No tengo mucha hambre Arturo, puedes quedarte con mi parte.
   -¡Acepto! Es que yo necesito de fresa, creo que estoy quedándome enfermo…
   -¡No lo necesitas nada Pablo! ¿Por qué siempre que miras una comida que a ti te gusta y no la tienes, usted cae enfermo?- Diana, la más nueva integrante de la familia preguntó para su primo.- Lo conozco muy bien chaval. Solo tengo diez años, pero sé que se quiere hablar una broma para alguien, tiene que ser más convincente, hacer más cara de persona enferma y en ese caso hablar más despacio porque parece que tiene la nariz entupida… Fue lo que mamá dije cuando estaba haciendo luchita con mi papá…
   -¡Diana!
  -Sí, la puerta estaba medio abierta, y yo escuché. ¡A mí me encantan esas cosas de gente grande y que los infantes no lo pueden saber!
   -Por Dios mi hermana, tiene que cuidar más de tu hija… Después los chicos y chicas se van de nosotras y no sabemos al cierto, o se sabemos preferimos no saber… adonde van.
   -Que bueno lo que tú has hablado chiquita. A mí me gusta mucho la manera como habla con los infantes mi amiga.- Arturo hablaba mientras repartía rápidamente su pastel en pequeños pedazos.
   Todos continuaron a comer mientras Diana se molestaba un poquito por la mirada misteriosa de su madre para ella. Aquella fiesta de cumpleaños ya estaba adelantándose hacia case la media noche; y toda oportunidad que los hijos tenían, estaban comendo más…
    Después de la cena, los amigos y familiares de la anciana de 81 años fueran charlar más un poquito sentados en las alfombras de la sala de invitaciones. Gonzales gustaba siempre de tener oportunidad de hablar con diferentes personas; a veces se quedaba triste pues Juan no mantenía un “diálogo amoroso” con ella, pero cuando estaba junto a tus hermanos y nietos, olvidaba las preocupaciones cotidianas.
   -Creo que ya no es temprano chiguita, me apetece tener que volver a mi casa…
   -Me quedo contenta que tenga gustado Arturo, ¿Después vamos a un juego de cartas aquí? También me gusta mucho ustedes.
   -¡Eres adorable mi Diosa! Vamos sí, por supuesto. Ahora, hasta la vista…
   -Hasta, Arturo…
   Después de quedarse sola más una vez en su gran hogar, Marta miró la fotografía de su hijo Juan en una pequeña tabla, y un poco molesta fue se acostar…
   Eran todavía cinco y pico de la mañana cuando un coche prieto y que no parecía barato estacionó, intentando no hacer barullo, en el garaje de aquella casa. Gonzales estaba aún medio despierta cuando escuchó el portón abrir; tenía una pequeña idea de quién podría ser y ya estaba lista de espalda para la puerta cuando la panilla empezó a girar.
   -Mira… mira quien apareció gracias a los cielos. Felicitaciones mi hijo, ¿adónde estaba?
   -¿Qui… qui… quién ere… eres tú? ¿Al… al… alguien apa… ap… apagó la luz? No puedo mirar…
   -Y también miro que no podréis hablar, bebió de nuevo Juan Gonzales…
   -No no no no y… yo be… beb… bebí, no… hab… hables así en la frent… frente de mi no… novia.
   -Déjame pre… presentar, so… soy Sa... Sabrina!; Y... yo te amo!
   -Por Jesucristo, ¡has traído una tonta junto en esa vez! No lo creo, pero…
   -Hola mi tía, ¡perdón! Yo sabía que eso no sería buena idea, no tuve como detener.
   -Siéntate Luice, tu es también muy influenciado por mi hijo a hacer esas cosas. ¡Tienes igual culpa!
   -No señora, ni siquiera bebí…
   Marta tenia certeza de que aquella pelea iba a demorar, y ya perdía cuenta de cuantas veces aquella misma historia aconteció… Él por supuesto iba decir “Perdón, yo no voy hacerlo de nuevo”, pero difícilmente esas palabras podrían cambiar para una verdad. Y además, esa era la primera vez que su hijo tenía traído una “desconocida” para dentro de casa. Mientras Luice intentaba calmar los nervios de la madre de tu primo, la pelea ya estaba cambiando en una gran lucha de familia.
    -…¿Y además Juan Gonzales, olvidó de su novia Patricia? No creo que un hombre ya hecho igual a usted vas caer en trampilla de cualquiera persona… Por los cielos, y aún mucho más nueva.
    -No, no, n… no mamá, Patricia no lo puedes s… sa… saber.
    -¡Si señorita!- Sabrina intentaba mirar fijamente en los ojos de Marta, pero la misma estaba tan loca por el alcohol que solo miraba pequeños bultos.- No podemos dejar que eso s… se su… suceda, d… de nin… ninguna manera… Yo y Juan nos ama… amamos y además puedo s… ser la amante mi… mientras l… la o… otra es la…
    -Los buros siempre van atrás.- Carlo, el hermano más viejo de Luice llegó tras de la puerta.- Mi abuela, ni siguiera yo creo…
    -Ahora no me llame de tu abuela Carlo Dragón,  ¿piensas que me olvidé del pasado? Jamás, te lo sabes… fue usted quién colocó Francisco contra mí, todo porque solo fue más exigente y más cuidadosa… ¡en comparación con tu madrasta actual! Aproveche y hables con tu querido papá que yo jamás puedo olvidar lo que él hizo a mí… me duele aún…
    -Ge… gen… gente, vamos ol… olvidar el ayer.- otra chica; de piel clara; cabello de varios colores y aparentemente 24 años apareció con más algunas otras personas desconocidas.- Ay, pe… perdón déjame presentar… soy Ciara, la nueva enamorada de Luice. Por Dios, no se moleste con nosotros, después…
    Mientras aquella chica de ojos verdes hablaba, llegaban sin aviso más “amigos sin concepto” de Juan… Ironía del destino, Marta pensaba cuando recordaba aquellos momentos felices de sus cumpleaños que se cambiaron en tiempos de tormenta gracias a las novedades inesperadas.
    Después de transcurrido un chiquito tiempo de peleas sin ganadores, la señora Gonzales fue más una vez abatida por el enfado. Rápidamente pensó en quién podría llamar por teléfono para quedar de supervisión en aquél hogar y llamó  Mateo; una de las personas más amigas y responsables que conocía. Sin decir nada a nadie cerró la puerta de su cuarto y se acostó.




Davi Dumont Farace.              
Principio:  17/04/2011
Final:  20/04/2011      

segunda-feira, 25 de abril de 2011

This is a bad money passion.

Shopping’s world.
(paródia de "Bad romance"- Lady Gaga)

   Oakley, Puma, Dell, Volcom Stone... Adidas, Fila, Carrefour
   Kuat, Credicard, Chicago Bulls... Brooksfield, Petrobras

   Arr arr... vamos ao shopping?
   I pad vou comprar
   Não, não... eu já não posso
   Mais segurar!

   Arr arr... quero ir ao shopping
   Celular novo para comprar
   Olhando as vitrines...
   Eu vou gastar!
  
   Eles querem tudo, mesmo que não precisem
   Pagam em prestações de até 36
   E só pra ter...
   Ter, ter, ter... gastar, gastar... e só pra ter

   Eles não olham o dinheiro sair...
   Por que pagam geralmente em cartão
   Não sei se é...
   Necessidade,
   (necessidade)
   Acho que não...

   (Sei que você pode)... (sei que você deve)
   (Sei que você quer)... (ser igual a mim!)

   Com ele eu posso ser mais popular,
   E ter tudo o que eu quiser...
   Ferrari, Billabong
   Com ele eu posso ser um grande homem,
   Quem sabe ter mais amigos?
   Honda, Sony, Vivo, Oi, Walmart
  
   Capitalismo é um romance ruim!
   Nike, Motorola, Coca Cola
   Capitalismo é um romance ruim!

   Arr arr... meu precioso
   Quero ter... o melhor
   Ganho na loteria,
   Gasto em um dia!

   Quero que você diga,
   (eu sou o seu Deus!)
   Quero que comungue da minha cultura...
   Vamos, compre...
   Compre mais, diga aquilo
   Eu preciso!    

   Será que precisa? Ou será que só quer?
   Felicidade, ele não pode te dar!
   Mantenha o controle...
   Você não pode deixar a mídia dominar

   (Sei que você pode)... (sei que você deve)
   (Sei que você quer)... (ser igual a mim!)

   Com ele eu posso viver mais feliz,
   E sem maiores preocupações.
   Não posso me iludir...  
   Com ele eu tenho, conquisto o mundo!
   Posso até comprar o amor.
   Mas não se iluda por favor...
  
   Capitalismo é um romance ruim!
   Não se prenda a ele meu amor...
   Capitalismo é um bad romance!
  
   Arr arr... não vou deixar,
   Não sou mais um consumista!
   Tenho uma mente própria
   Eu não preciso!

   Eu sei quem eu sou...
   E não preciso de espelhos...
   Eu sei que eu não tenho...
   Mas ainda sou eu mesmo

   As pessoas têm que ver
   Que o que importa na vida
   Não precisa ser o ter
   Mas sim o ser...

   Queria agora comprar
   Mas eu sei esperar...
   Meu salário chegar
   Para poder gastar...

   Estou mais consciente
   Já sei o que fazer!
   Aquela viagem...
   Eu já posso ver!

 Elma Chips, Nestlé, Havaianas... Arno, Dolce Gabbana
Chilli Beans, Natura, Apple, Skol... chevrolet, Visa Electron

   São poucos com muito, muitos que não têm nada,
   Repare na desigualdade!
   Fifa, Disney, Lego...
   Vamos, se liberte e pense outra vez
   Não caia em tentação
   Vodka, Speedo, Pepsi, SubWay...

   Isso pode ser um bad romance!
   Fique sempre atento nas promoções,
   Pode ser um bad romance!

   Arr arr... não vou deixar,
   Não sou mais um consumista!
   Tenho uma mente própria
   Eu não preciso!

  
              Davi Dumont Farace. 25/04/2011