quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mensalão.

Mensalão da vida.
(Paródia de “Muitos problemas”- ポケモン))

Já vem imposto!
Imposto em dobro...
Já vem imposto!
Imposto em dobro...

Nós só queremos a grana pegar...
Impostos! Vamos ter de cobrar...
Serei milionário!...
(Conquistarei...)
O mundo inteiro, antes de você...

Lá vem mais imposto!
Mais imposto em dobro...
Lá vem mais imposto!
Mais imposto em dobro...

Indignar as mentes com a corrupção...
Juntar mais dólares pra nossa nação,
Fazer a limpa no estoque de animais...
Nos tornando indiferentes, e querendo mais!
Cartões...
(de crédito!)

A conta bancária vai aumentar
Colocaremos mais dígitos quando precisar!

É a mordomia...
Com IPTU, IPVA, IPI, INSS...
Que absurdo!
É a nossa lei
ITR, IR, IOF, ITBI,...
Tantos (ís) da vida...

Só pra pegar o seu tutú...

São muitos impostos!
Impostos no plural...
São muitos impostos!
Impostos no plural...

Tome cuidado... com a cassação!
Fichas sujas, vamos ter de limpar...
Tenho cobertura...
Todo o poder...
Com meu jatinho, não vou perder!

É a mordomia...
Com IPTU, IPVA, IPI, INSS...
Que absurdo!
É a nossa lei
ITR, IR, IOF, ITBI,...
Tantos (ís) da vida...

Só pra apanhar mais do seu tutú!

Não desistiremos, sempre criaremos;
Mais de 85 impostos...
Este é o número,
De planos infalíveis...
(só para recebermos o mensalão)!

-Este dinheiro e genial, precisava dizer isso a mim mesma.
-Nem mesmo eu acreditava que a conta poderia triplicar tanto assim, companheira.
... (som de psicose) (som de descoberta)
-Mas como pode ser?!? Os pirralhos estão vindo!
Aí vem imposto!
(som de lutinha)

Indignar as mentes com a corrupção...
Juntar mais dólares pra nossa nação,
Fazer a limpa no estoque de animais...
Nos tornando indiferentes, e querendo mais!
Cartões...
(de crédito!)

A conta bancária vai aumentar
Colocaremos mais dígitos quando precisar!

É a mordomia...
Com IPTU, IPVA, IPI, INSS...
Que absurdo!
É a nossa lei
ITR, IR, IOF, ITBI,...
Tantos (ís) da vida...



Davi Dumont Farace.
02 -/11/- 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

inoçência.

Conchas na areia.

Procuro por alguma coisa que desejo loucamente...
(possuir; materializar; ter) de volta em meu coração;
Algum objeto estranho e imaterial talvez, escondido nas entranhas de uma praia deserta...
Ou, quem sabe, até mesmo por uma voz...
Doce, penetrante e persuasiva voz que me chama para mergulhar na água...
(...)
Contudo... deveras;
Só o que vejo são peixes...

As chamas de passos gelados e silenciosos me assustam,
Contudo... receio que um dia volte;
(a buscar), a amar em uma noite de tormenta...
E, o orvalho que vejo em meio à multidão...
De maldições angélicas e brilhos sepulcrais
Convida-me para dançar novamente
E eu, deveras me reluto
Mas receio ter de aceitar esse pedido... (somente por mais essa noite)

Ilusões... vorazes peixes que vagam sem direção;
Vou ao encontro deles, contudo a isca ainda é pequena demais,
e voltam a se esconder na água...
(com isso)
Fico mais uma vez em meio à praia deserta...
O temporal que fazia lá fora; Há...
Receio que continua...
(no íntimo de meu ser)

Será que estou fazendo errado?
Será... que ao invés de procurar ironicamente essas emoções (subjetivas e imersas na areia),
não deveria estar buscando
(de forma menos melancólica possível)
Uma verdade concreta e absoluta; simples, sem fortes emoções e que não precisa de panos para ser camuflada?

/.../ Contudo / .../
Volto a cavucar a terra...
Com um pouco de esperança, e talvez uma alegria boba em achar
Essa coisa que faltava...
; ou;
(Esse alguém que me espera...)


Davi Dumont Farace.  
                               15/10/2.011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Me casei!

Chave da Letras.
(paródia de “Amor perfeito” – Cláudia Leite.)

Passo dias nesse reino de muitas portas...
E com vocês já posso abrir...
Bela musa, minha paixão mais desejada...
Sem você não sei prosseguir...

Vamos lá...
Vamos cantar em meio ao brilho sepulcral...
Desvendar as sombras do que é real...
Em cada palavra... um novo olhar,
Um novo amor!

As metáforas vão passando na cabeça...
Tenho que saber pegar!
Até quando essa espera, essa agonia?
Minha alma pra decifrar!

Vamos lá...
Que nas palavras o meu “eu” é um romance...
Um livro que pode estar em meu alcance...
Cada segundo é uma eternidade sem escrever,
Sem escrever...                                                    

Eu não sei viver sem teu amor! (não sei chorar sem essas lágrimas.)
Sem essa inquietude que me faz ficar,
Quando penso em me afastar... quero mais
Quero mergulhar nessa ironia!

Vem me tirar dessa razão!
Quero viajar em tuas palavras...
Conhecer outras vidas, outras culturas...
Com seu carinho imaterial... então vem!

Que as areias passam devagar na ampulheta
Quero ser lembrado antes que me esqueçam,
Cada segundo é uma eternidade sem escrever,
Sem escrever...                           

Eu não sei viver sem teu amor! (não sei chorar sem essas lágrimas)
Sem essa inquietude que me faz ficar,
Quando penso em me afastar... quero mais
Quero mergulhar nessa ironia!

Vem me tirar dessa razão!
Quero viajar em tuas palavras...                                           
Conhecer outras vidas, outras culturas...
Com seu carinho imaterial... então vem!                     (2x)



Davi Dumont Farace.                                               26/09/2.011

sábado, 24 de setembro de 2011

Tentativa de resumo.

(resumo de textos)

“Gêneros textuais no espaço extra-escolar e na sala de aula” e “Gêneros textuais e ensino”

   Segundo Beth Marcuschi e Maria da Graça Costa Val, para produzir um texto devemos levar em consideração diversos fatores, tais como o público alvo, o assunto a ser abordado, o contexto social da época e a imagem do próprio autor a ser transmitida para o leitor. Estes pressupostos teóricos são reafirmados no livro “gêneros textuais e ensino” (MACHADO, Anna Rachel; “Gêneros textuais e ensino”; quinta edição).
   Seguindo este mesmo parâmetro, podemos chegar à conclusão de que existem diversos gêneros textuais e a escolha dos mesmos, “não é uma atividade subjetiva”, tal como está descrito em “Gêneros textuais no espaço extra-escolar e na sala de aula”. Podemos observar que Machado retoma o tema ao citar o linguista russo Mikhail Mikhailovich Bakhtin. Não há como, em qualquer situação de fala, não se ter evidências de um ou mais gêneros textuais específicos ou que comunguem entre si. Em um assassinato presenciado por cinco testemunhas diferentes, por exemplo, o delegado deverá analisar o defunto e descrever detalhadamente a cena do crime. Já a oralidade nessa situação pode ser embutida de vários gêneros, tais como “troca de desaforos e intrigas” ou “discussões prévias sobre quem possivelmente tem mais direito à herança”. Tal fato não se enquadraria em um cântico para uma missa, nem para um show de axé. Similares exemplos são colocados em “Gêneros textuais no espaço extra-escolar e na sala de aula”
   O estilo do texto produzido é definido a partir do conhecimento de mundo que o próprio autor adquire ao longo da vida, reafirmando os pressupostos de Marcuschi, Machado e Costa Val, de que para se escrever é necessário ter em mente o público alvo, assunto, contexto e imagem.
   Ainda levando em consideração estas duas obras, podemos repensar sobre o modelo de educação brasileiro. Embora existam escolas preocupadas com o ensino, bem como as relações professor e aluno, esse sistema carece de pessoas que levam o estudante a “pensar” e “refletir” sobre os vários aspectos da vida. Nas aulas de Português em que há a redação, como exemplo do texto de Costa Val e Marcuschi, alguns alunos se dedicam ao trabalho de redigir somente levando-se em conta um único “destinatário” que irá corrigir o texto, no caso o professor. Devemos sempre ter em mente que a escrita de redação possibilita uma gama de conteúdos, estruturas, estilos próprios de linguagem e até o tamanho dedicado a obra final. Em outras palavras, estes alunos recebem o peixe; contudo não são motivados ou ensinados a pescar.
   Seguindo esta mesma linha de raciocínio, podemos eleger como ponto de partida as idéias do psicólogo suíço Bernard Schneuwly em que, na sala de aula o gênero amplo se transforma em gênero a ser ensinado. Ou seja, a escola aborda textos exclusivamente em seus aspectos formais; tenta colocar os vários gêneros em diferentes e imutáveis “pacotinhos” como normas únicas a serem seguidas. E é justamente por esse viés, que Machado afirma em seu texto que a noção de gênero é diferente do entendimento que se deve ter de tipos. O primeiro é de difícil descrição precisa, não se pauta em uma única norma (visto que existem hoje textos que possibilitam uma maior liberdade de produtor, como um blog ou um diário); já o segundo caracteriza-se por ser mais padronizado (por exemplo, o tipo carta requer modelos pré-estabelecidos de data, local, vocativo...)
   Concluindo, o estudo de gêneros pode contribuir para que o estudante consiga produzir obras escritas cada vez mais perspicazes e habilidosas, levando em consideração aspectos como lugar, público e objetivo do texto.




Davi Dumont Farace.   24/09/2.011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Leiam... é depressivo mas é bom!

E você não estava lá...

As horas passam lentamente naquele relógio de ponteiros...
Estou; deveras; rodeado de pessoas, contudo meu coração ainda se sente só...
Quero aquele sentimento de liberdade, sentir o frio embrulhar-me o estômago;
Ainda que não me julgue capaz de suportá-lo sozinho!

A parte irascível de minha alma se inunda em meu ser!
Sinto que meus sentimentos se esvaem da minha razão... tanto como
O lodo que vai embora depois de uma enxurrada.

Não quero entregar-me novamente às minhas paixões;
Muito menos a essa parte concupiscível de minha mente, que governa meus próprios instintos de animal...
Contudo, quero a brisa suave que me corta a cara;
desejo incontrolável por obter uma resposta sobre meu subjetivo ser...
insensatez que me leva a discorrer sobre os atos e omissões de meu viver...

Andes... andes logo, pois senão chegarás atrasado!
Meus pés se locomovem em uma infinitude de caminhos;
meu coração chega a dar mil badaladas por segundo;
e o relógio da praça me convida para escutar suas batidas;
... “Falta pouco tempo!”

A parte irascível de minha alma se inunda em meu ser!...
Pois é... estou sentado em um banco esperando...
Esperando aquilo que; deveras; não sei se irá ocorrer...
(nem o “porque” que me levou a fazê-lo; pois as paixões tiraram-me os instintos)

Passam carros, ônibus, caminhões, motocicletas...
Imagino-me preso nessa verdade;
ainda que seja somente uma verdade imaginada...
ou quem sabe, uma relutante recordação fantasiosa... (Oh! Deveras.)

Canto; grito; falo... processo...
Faço terapia ocupacional relembrando coisas e criando outras
(As mais diferentes possíveis, enquanto você não chega...)
Preciso me distanciar dessa verdade mentirosa que agora inunda meu ser!

Passam carros, ônibus, caminhões, motocicletas...
E você não estava lá...   



Davi Dumont Farace.
20/09/2.011

domingo, 4 de setembro de 2011

RAP do futebol!

Campeões!
(paródia de "Pokerap".)

Jogador, eu escolho você!

Queremos ser os melhores...
Que já existiram,
Jogamos pra vencer,
Sei que assim poderemos!

Cristiano Ronaldo,
Leonel Messi,
Fernando Torres,
Eduardo Sasha,
Willian Matheus,
David Beckhan,
Ronaldo Luís,
Ricardo Izecson...

Vamos lá... vamos conquistar,
Nosso lema é união!

Treinar bastante!
Dominar a bola,
Destreza com estratégia
Espírito de equipe!

Neymar da Silva,
Didier Drogba,
Alexandre Pato,
Paulo Henrique Ganso,
Gianluigi Buffon,
Michael Ballack,
Adriano Leite,
Gennaro Gattuso...

Vamos lá... vamos conquistar,
Nosso lema é união!

Steven Gerrad,
Franck Ribéry,
Anderson luiz,
Wayne Rooney,
Andriy Shevchenko,
Ruddy Thuram,
Luis Felipe Figo,
Michael Essien,
Frank Lampard…

Sabemos que a taça pegaremos!
Um dia eu sei que venceremos!
Temos só que trabalhar todos juntos!

Barcelona,
Real Madrid,
Atlético e Cruzeiro,
Sem rivalidade!
A torcida... organizada!
Grita, aplaude, chora...
Se comove toda hora!

Não são 150, são muito mais!
Em Mestre dos Jogadores, eu irei... me converter!

Marek Čech,
Arjen Robben,
Alessandro Nesta,
Edmundo Alves,
Alessandro Vieira,
Tomáš Rosický,
Phillip Lahm,
Jens Lehmann...

(No estamos ni en la mitad,
ma non e più difcile, davvero?
Good, so… in 45 minutes can you play soccer well?,
O jogo une as pessoas de diferentes partes do mundo...
Se o nosso time ganha, podemos dizer “watashi wa genki desu!”
Mas se perde... não devemos nos desanimar,
Pués hai siempre um nuevo partido,
So... peleamos!)

Andrea Pirlo,
Robson de Souza,
Miroslaw Klose,
Samuel Eto'o,
Fabio Cannavaro,
Ruan Riquelme,
Campeões dos gramados,
Sem distinção!

Sabemos que a taça pegaremos!
Um dia eu sei que venceremos!

Ibson Barreto,
Cláudio Taffarel,
Na chuva ou no sol, lutaremos!
(jogadores)
“A melhor defesa… é o ategue”
Espelhense no técnico, no amor ao time!

Vou vencer em todos os gramados,
Sei que não vou perder!
Vou vencer em todos os gramados,
Sei que não vou perder!
Vou vencer em todos os gramados,
Sei que posso ser... o melhor!

Davi Dumont Farace.                                04/09/2.011

domingo, 31 de julho de 2011

Não dá pra ficar sem Cezita, já tô emagrecendo...

Qual a idade de uma brevidade?

   Era final da década de 60 no interior de Minas Gerais. O galo já cantava no alto da serra que beirava a pequena cidade e D. Conceição já estava de pé arrumando, como sempre, algo de bom na cozinha da grande casa.
   -Bença mãe! Outra vez de pé a essa hora da manhã? Mãezinha, a senhora já está quase passando de meio século de vida, não precisa levantar tão cedo mais!E ainda por cima está fazendo muito frio hoje. Aceita uma xícara de chá? – Mariza, a filha mais velha de D. Conceição, estava junto à porta da cozinha já com um pijama azul e chinelos rosa claro. 
   -Deus lhe abençoe filha! Eu já falei que se eu só ficar trabalhando na venda e depois deitada em casa, o trem da vida passa e me deixa pra trás. E ainda por cima, conversada, só tenho 43 ainda. – ela falou calmamente já abrindo a velha despensa da casa. – Mudando de assunto, espia os bons feitos de sua mãe! Vou fazer aquela receita que todos vocês gostam! Mas só depois que eu pegar o que preciso na venda...
   -Brevidade! Eu amo esse bolinho do paraíso, posso ajudar? Prometo que não vou comer massa crua, quero dizer, posso ir com a senhora à venda? – sua filha logo exclamou correndo para tentar ajudar a mãe.
   -Alto lá Mariza! Não adianta fazer promessa que você sabe que não vai cumprir. – Conceição dava risadinhas enquanto batia de leve na cabeça da filha. – Quem vê você assim até pensa que eu nunca fiz brevidade. Vai! Xispa! Vai brincar de amarelinha ou de boneca com suas irmãs, vou à venda de seu pai buscar o que preciso para a receita...
   À medida que D. Conceição falava, os irmãos de Mariza se aglomeravam na parte preferida da casa, a cozinha, onde todos ansiosos indagavam a mãe sobre a tal brevidade.
   Apesar de ser uma mulher de quase cinco décadas, D. Conceição raramente acordava depois das cinco e meia. Ela era a grande matriarca de uma família composta, até então, por seis filhos e, por essas e outras, não se permitia ficar quieta por muito tempo. Todo minuto que tinha de folga, caminhava até a venda de seu marido José para tirar um bom dedo de prosa com todas as pessoas que apareciam por lá. E não pense você que D. Conceição se sentava pacientemente em uma cadeira do pequeno mercado só para jogar conversa fora. Sempre caminhava para a venda com um rolinho de tricô, um crochê ou uma costura para arrematar na mão ajudando assim José a complementar a renda da família. 
   -Ô mãe, por que o bolinho que a senhora faz chama brevidade? - Tunico rapidamente entrou na cozinha e perguntou ao mesmo tempo em que pegava goiabada na caixa de madeira na velha prateleira. - Será que antes alguém já achou que ele, por ser pequeno, gostoso e derreter na boca podia ser um doce que diminui a idade das pessoas? Ou até retorna aos poucos os tempos da juventude? Ou ainda porque não demora para assar?
   -Pode ser, mais o que você tá fazendo aqui? Deixa sua mãe ao menos separar os ingredientes! Nem fiz o bolinho ainda e minha macacada tá quase toda aqui, ô meu Jesus... Tunico, vai brincar com o Geraldinho ou jogar bolinha de gude que vocês gostam! Aproveitem que hoje é sábado e não tem aula, depois não venham chorar pro meu lado dizendo “-Que mãe chata, não me deixa fazer nada”.
   -Brevidade, obá! Vem mãe, a senhora tá cansada de tanto trabalhar. Pode sentar e deixa que eu termino o bolo. Eu juro que distribuo igualmente pros meus irmãos. – Juca, o filho mais velho de D. Conceição, foi o último a acordar e ir para a cozinha perturbar a mãe.
   -Ah, Deus te abençoe Juquinha. Nossa, queria que meu filho mais velho fosse assim tão responsável e amigo da mãe como você! - A mulher ergueu suas mãos enquanto olhava já para os olhos de Juca. – Bem diz o ditado, quando a esmola é demais até o santo desconfia.
   - Até parece. - disse Lurdinha chegando perto do fogão. - Ele não vai distribuir nada se eu bem conheço.
   D. Conceição aumentou um pouco o tom de voz e disse:
   - Não comecem vocês! Pensando bem, vou aceitar o convite. Vamos fazer assim... vou deixar que vocês façam a brevidade. – ela falou e logo tapou os ouvidos com as mãos, pois o instinto materno já a tinha alertado dos gritos de euforia e emoção que os filhos iriam fazer. – Calma! Quero que vocês vão lá na venda de seu pai e tragam tudo o que uma brevidade precisa, façam a massa, batam, tudo bonitinho... Quem conseguir fazer a melhor brevidade em menos tempo pode ir à matinê do cinema hoje! Enquanto isso vou arrematar um vestido que preciso entregar até amanhã.
   As crianças pensaram, repensaram e logo recomeçaram a algazarra caminhando felizes para a escada da casa. A mãe deu um beijo na bochecha de cada filho e depois foi para a sala arrematar a costura.
   Os filhos de José e Conceição adoravam ir à venda do pai. Para eles, isso já os fazia “gente grande” mesmo que a distancia do pequeno mercado fosse subir alguns degraus e chegar à parte da frente da casa onde ficava a venda.
   -Fecha à porta Maria, seu pai já vem! – Fatinha, a filha mais nova de D. Conceição, subia os degraus pensando que falaria esta frase quando fosse ao cinema mais tarde. Afinal, a beira do caminho era cheia dessas plantinhas cujas folhas se fechavam ao toque das mãos como mágica.
   - Fatinha a gente vai perder o concurso! Não se esqueça que você é minha dupla e pare de se distrair. - disse Geraldinho, o irmão que era somente um ano mais velho que ela.
   As crianças logo chegaram à venda do pai que estava ocupado atendendo um novo freguês...
   -Ceus! Quem é que vejo aqui? Todos de uma vez?– disse seu José.
   Juca tomou a frente e foi logo falando:
   - Bença pai! É que nossa mãe ia fazer brevidade...
   Ele e seus irmãos recomeçaram a algazarra enquanto tentavam explicar toda a história para o pai.
   -Ah certo, que maravilha! – depois de trinta minutos de explicação, José falou. – Meninos na cozinha, que perigo! Bom, se Conceição deixou vocês por conta da cozinha, vou lhes dar os ingredientes. – José riu um pouco e foi aos fundos da loja buscar o sal amoníaco e o resto. – Eu não deixaria os meus filhos pequenos sozinhos na cozinha de casa, mas se a patroa Conceição fala... há-há-há!
   -Obrigado pai! Depois te dou um pouco do meu bolo se o senhor quiser. – Tunico falou já pegando as sacolas. -... Venham logo, cada um carregue sua sacola... Próxima parada, cozinha da mamãe!
   E assim os irmãos saíram alegres e satisfeitos da venda do pai só pensando em como iriam fazer para derrotar o outro na competição.
   D. Conceição continuava na sala costurando enquanto ouvia sua rádio-novela preferida. Os filhos já estavam a postos para começarem a competição e Lurdinha, a filha do meio, fechou a porta da cozinha para a mãe não ouvir o barulho que podiam fazer.
   - Bem, aqui na receita... precisa de polvilho, sal-amoníaco...
   -Lurdinha, onde tá o sal-amoníaco? – Tunico pergunta já rindo para a irmã. – Será que é esse daqui?!? Cheira pra ver se tá bom...
   -Aaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiii! Que trem ruim... Você tem certeza que a receita leva isso?
   -Vamo rápido Tunico! A chata da nossa irmã vai ganhar da gente. – Lurdinha exclamou olhando para Mariza, que estava tranquilamente pegando o polvilho de sua sacola.
   -Que isso Mariza... Acho que você não trouxe o sal-amoníaco! Já começou o jogo perdendo... todo mundo sabe que eu é que vou ganhar esse trem e depois não vou te dar. – Geraldinho exclamou fazendo uma careta para sua irmã.
   -É, se você ganhar e não me der nada, eu... – Juca rapidamente defendeu Mariza. -... eu conto pra todo mundo que você faz xixí na cama até hoje!
   -Buááá...o Juca brigou comigo... buááá. – Geraldinho chorava enquanto tentava abrir o pacote de farinha.
   - E vou contar pra todas as minhas amigas...
   -Vai contar nada sua fidida! – Juca, que gostava de começar uma boa confusão, abriu o saco de farinha de Tunico e subitamente jogou um pouco de pó no vestido laranja de Mariza.
   -Agora você vai ver Mariza...
   -Dessa fez não fui eu! Foi o Ju... arrrrr!
   Lurdinha tirou um pouco de farinha do seu pacote e já estava com as mãos prontas para sujar o vestido rosa de sua irmã Fatinha, porém no minuto seguinte, a menina abaixou e Lurdinha jogou farinha na cara de Mariza.
   -Geraldinho, você precisa de mais massa de polvilho!? ...Eu acho que a sua tá pouca... – como um rápido golpe de ataque, Mariza pegou um pouco de seu polvilho e arremessou o pó nos cabelos do irmão. – Eu até queria te ajudar, mas você não me queria como dupla... Há-há!
   Depois de mais ou menos trinta minutos, tanto a cozinha como também os filhos e filhas de D. Conceição estavam brancos de tanta farinha e massa de polvilho. A mãe, que já ouvia toda a algazarra, correu para abrir a porta do “rinque de farinha”, porém Lurdinha já tinha trancado com chave a saída alegando, “-Ninguém entra, ninguém sai”.
   -Filha! Abre essa porta pelo amor de São Pedro... – a mãe tentava sempre manter o mesmo tom de voz com todos os seus filhos. – Abre a porta agora, se o pai de vocês chegar e entrar pelos fundos será pior...
   -Tunico, corre... Vai pros fundos. – Lurdinha tentou cochichar nos ouvidos do irmão, mas este estava irritado por causa da briguinha na cozinha e não quis ouvir.
   Cerca de um minuto depois, passos largos se faziam ouvir no corredor dos fundos da casa.
   -Tarde demais! O que aconteceu aqui? Vão, perguntem sua mãe onde têm vassoura e pano de limpeza... a faxina é por conta de vocês! – José, que apesar de ótimo pai era mais bravo e menos paciente com os filhos, exclamou aos famosos berros ao ver a verdadeira confusão que estava o ambiente. – Não quero nem saber quem começou e nem por qual motivo, causa, razão ou circunstância! Vão buscar agora o que eu falei, não quero ouvir mais nem um pio.
   Os filhos finalmente saíram cabisbaixos da cozinha e cada um foi buscar um pano para limpar a bagunça. José continuava bravo e saiu para ouvir as explicações de sua esposa, que só depois de muito custo conseguiu acalmar os nervos do marido.
   -Escutem bem meninos. – o pai falou ao lado da mãe. - ...Muito bem! Vejo que trouxeram o que pedi. Apesar de tudo, vocês podem comer a brevidade depois que acabarem! Conceição me contou tudo e achei a história até comovente. Não vamos ajudar com a bagunça, mas vamos inspecionar a limpeza pra que isso não aconteça de novo! Então, comecem já... vou voltar pra venda e estão todos vocês de castigo!
   Conceição e José saíram da cozinha e os meninos começaram tristemente a efetuar a faxina.
  
......
   -Ô vó, por que você não faz brevidade um dia desses? – Perguntei ao ouvir atentamente a historia da época de criança do meu pai.
   -Há... Ninguém mais faz isso hoje em dia não meu filho e nunca tentei ressuscitar a receita... Brevidade é coisa lá de quando eu tinha meus 40 anos...
   -D. Conceição, você ainda tá muito nova! Ainda faz crochê e costura. Por que não pode fazer brevidade? – Ri e abracei fortemente minha avó. – Do que seria o mundo se não fossem as avós para resgatarem as coisas antigas da história de nossa família! Brevidade é uma relíquia de família, e como tal precisa ser passada de geração a geração! E além do mais, é lógico, não dá pra ficar sem a D. Conceição... já tô emagrecendo...
   -Está certo meu neto! Que bom que gostou da história dessa velha vó! Amanhã vou comprar o que preciso para a receita.
   O neto deu um rápido sorriso para a avó que continuava a costurar o vestido, depois seguiu seu rumo até o quarto de T.V pensando como seria o gosto daquele bolinho, porque o sabor de “quero mais” ele acabava de conhecer.     
   

Davi Dumont Farace.
                                         Início: 27/07/2011
                                             Fim: 30/07/2011